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Vícios

Não superamos vícios, simplesmente os esquecemos.

Guardados em uma caixinha sem graça dentro de um baú que chamam de lembrança. Mas como aquelas fotos que você nem se lembra mais, ainda existem… como registros que lhe seguirão pelo resto de sua vida.

br-101, serra. Florianópolis - Curitiba

Mas basta um momento, uma mera menção para que você se lembre, que apesar de evoluirmos como pessoa dia a dia, algumas coisas não vão mudar. Porque fazem parte de você, e definem quem você é. Por mais que se esforço, são vícios que lhe trouxeram até onde estas, por bem, por mal, sorte ou azar. É você que está lá.

Porém, por motivos que desconheço, a melancodia da derrota não se fez presente. Me senti por hora pleno, sem arrependimentos, como se por um momento, presente em minha frente estivesse eu mesmo, mas um eu que por anos não me cumprimentava.

Talvez seja o efeito da nostalgia. Talvez, a mera estupidez que permeia a mais básica das naturezas humanas. O instinto que gera a  incerteza, a ignorância da busca pelo conhecimento.

Dell’ottusità, la luce della conoscenza compare.

nada sinto.

As vezes, imagino que nada sinto.

O vazio, por ora e sempre tão atraente, me consome. Tantas possibilidades, tantos sonhos que escapam de minhas mãos, a cada minuto, a cada respirar dos segundos. O tempo se esvai, como lágrimas em uma superficie que me parece plana demais. Sem barreiras, direto ao esquecimento que chamam de passado.

Ora ei de ficar confuso. Para onde ir, o que sentir. Mas nada sinto, esboço pensamentos que nunca serão ditos, que morrem já em sua concepção, pelo medo da incompreensão que outros demonstram. Ou talvez não, talvez se apaixonassem por estas belas palavras que são fadadas ao silêncio. Mas o medo, a ele, ah de consumir diversos sorrisos em minha vida.

Still2_by_sweetmoon

Still2_by_sweetmoon

Por hora nada sinto, talvez por desejo, ou por incompetência. O medo, no fim surge da falta de confiança. Em si, nos outros, em quem amamos. Me é tão dificil confiar, amar, sentir. Coisas bonitas, mas que as vezes me soam ilógicas.

Queria o dom mágico da empatia, ver o mundo com outros olhos. Mas no fim, fadado estou a atropelar sentimentos e pessoas, em um ciclo vicioso caucado pela ambição que em meu sangue ressoa. E não haverá arrependimentos quanto a isso. Temo ser eu mesmo, mas tenho orgulho de o ser.

Desejo dias melhores, um bom futuro, incerto para ser charmoso. O que desejas neste caminho que chamam de vida não interessa a mais ninguém além de você. Algúem um dia me ensinou a sonhar, mas me avisou que ao sonhar, dar-te asas, as mesmas que vão leva-lo em direção aos seus desejos, mas cada vez o colocarão mais distante das pessoas que, de alguma maneira, resolveram do chão não sair. Ei de respeita-las, mas fadalas ao esquecimento das lembranças.

Sonhe, além das nuvens, sobre as estrelas, sem olhar para trás, crendo que o limite é somente o trasncorrer do tempo. Enquanto ele não parar, enquando a chance de julgar e decidir lhe for facultada, não existirão limites. Foi o que me disseste, antes de sumir.

Mas queria dizer que é muito dificil tudo isso, que as vezes me remeto em direção ao chão. Medo, de sozinho entre as nuvens, olhando para as estrelas, me esquecer de tudo e todos, e em mim mesmo me consumir em sonhos que só a mim fazem sentido.

Não existe lógica em se viver sozinho, mas somente posso ensinar os outros a sonhar, e não a sonhar por eles. Leva-los em meus sonhos, impossível. Seria uma prenteção e um egoísmo sem precedentes… mas quem sabe, um dia, sobre o mar de estrelas, fortes asas tenha para enfim, poder em seus sonhos visita-los.

Por hora nada sinto, mas a ambição, ah de me carregar rumo a sonhos que mesmo sem sentido, venham a se realizar.

Nei miei sogni, l’un giorno vado dormire.

Specchio a si.

Pendurei alguns quadros na paredes.

Escondi os espelhos, sumi com os porta retratos.

Desfiz amizades, esqueci amores e guardei o passado.

Me fiz novo.

Mudei atitudes, cortei o cabelo e comprei um terno com sapatos importados.

Te vi na rua, e me disseste com palavras afáveis, continuas o mesmo.

Não importa o quanto mudes.

Lembrate, que para quem te estima, as atitudes lhe julguem.

Mas sua essência como pessoa, será eternamente imutável.

“È speciale, perché è voi voi stessi.”

Cenários.

Talvez você seja tolo o suficiente para achar que pode prever o futuro. Sabe, na verdade isto é impossível. Afinal, a experiência cria um falso sentimento que podemos prever acontecimentos. Em todo não é um pensamento errado, mas subestimar o acaso não é algo muito passível de sucesso. Podemos somente pintar diversos esboços do que achamos que venha a ser plausível. “Cenários”, e sempre me disserem que você deve ter pelo menos três cenários. Claro, tenha quantos quiser, mas vamos trabalhar pelo lastro do minimalismo, afinal, prever e planejar são palavras parecidas, mas de natureza e aplicação completamente distintas. Todos podem prever, mas poucos sabem o que é planejar.

Curitiba, Paraná. Algumas lembranças podem ser eternas.

Curitiba, Paraná. Algumas lembranças podem ser eternas.

 

 

Um cenário feliz, um comum e um catastrófico. Pense na melhor possibilidade possível, e este será seu cenário feliz. Pena que quando ele ocorrer, não será tanta surpreza, mas de todo modo, será um dia feliz. Não, você não vai ganhar na megasena. O cenário é para ser feliz, e não utópico. Sempre digo, que não se deve traçar metas de vida baseados na variável sorte ou acaso. Você pode sim estimar seu impacto (estimar, passar perto), e claro que sempre serão agente de mudanças. Mas não dependa demais deles, afinal, estão fora de controle (total controle) e vão influenciar de um jeito ou de outro.

O cenário comum, é aquele onde as coisas não vão variar mais que a média. Veja, as coisas de hoje, vão somente evoluir e continuar onde estão. Alguns ganhos e perdas podem ocorrer, mas de todo modo, sua vida não vai mudar muito. É o mais provável no caso de você não estar promovendo mudanças ou possibilidades de melhoria em sua vida, como estar estudando com afinco, ou trabalhando em novos projetos.

E claro, o catastrófico. Pense no pior (por favor, não considere morte afinal, ela é a ausência de futuro. Mas seguro de vida para os queridos é bem vindo nos dias de hoje), naquilo que talvez seja improvável, mas que impactaria de maneira negativa sua vida e dos que o cercam. Quando ele ocorrer, será menos dramático, e veja, você vai estar psicologicamente prepararado para isso. Bom, meio preparado, afinal, totalmente nunca estamos, é da natureza humana o despreparo a perdas.

Pensar no futuro é um belo exercício, seja la o que você faz da vida. Primeiro, que testa seu conhecimento quanto ao ambiente e as forças que agem sobre ele. Segundo, que lhe prepara para eventuais mudanças, as vezes fora de nosso controle. Terceiro, que tira a possibilidade de usar seu desconhecimento sobre tudo que falei, para tecer desculpas quando a você perder o trem das onze horas.

Para onde ele ia? Sei la, você não participou do planejamento do itinerário dele? Que pena… Se você não sabe onde quer chegar, ora, qualquer lugar estará bom, diria um gato sabido de desenho animado.

Ambição

Belos sonhos eu vislumbrava a tempos. Eles viraram realidade afinal, sonhos naturalmente se traduzem em realizações quando de fato, são desejos tratados pelo apelido de meta. Por que então a realidade não soa tão interessante? Não entendo. Ensinaram-me que aqueles que perseguem sonhos, que lutam e os realizam, atingem em algum momento da vida, a plenitude.

Então o tempo, o qual julgo o mais sábio e justo dos mestres, me sussurrou nos ouvidos que na verdade, as coisas não são tão simplistas. Existe algo que chamam de ambição. Esta palavra e a intensidade que ela tem nos traços da pessoa é que trás a plenitude interna.

Alguns fixam residência nos pés da montanha. Outros sobem um pouco mais alto, pois querem se proteger dos infortúnios que o pé da montanha oferece. Outrora temos pessoas que sobem ainda mais alto, pois a vista… ah, a vista La de cima nada tem de simplória. Uma mistura de cores e sentimentos, indescritível, creio eu em minha ignorância.

Vicios, numa sexta qualquer.

Vícios, numa sexta qualquer.

Outros desejam fixar uma bandeira no cume da montanha, real símbolo de suas façanhas, e descem para viver em plenitude, com sentimentos de vitória. E a merecem. São vencedores.

Não tenho bandeira, nunca desejei tal símbolo. Tão pouco aptidão artística para registrar e lhe descrever a bela vista oferecida aos vencedores que por mérito alcançaram os mais altos pontos da montanha, em seu caminho até o topo. Acho que ela deve ser vista pessoalmente na subida. Para ter significado… Ás vezes, no frio que permeia as sessões antes do topo, ela que nos acalentam, e permite prosseguir no caminho. Ou decidir parar. Veja, ambição é algo pessoal.

O que desejo? Não sei… sabia há tempos com total certeza, com cronogramas e planos de contas. Tudo que desejava. Pois lhe digo que esta montanha, que eu chamo de Vida, lhe faz rever conceitos enquanto se caminha em direção o topo. Você vai conhecer muitas pessoas que pensam como você, como algumas que discordam de forma criteriosa do seu estilo de pensar. Outras vão lhe descrever paisagens que lhe soam belas e intocáveis, mas que por algum motivo, não lhe farão sentido.

As situações só me fazem sentido quando as vivo. Por isso, sigo no caminho ao topo. Eu fico imaginando, que lá de cima, além das nuvens que teimam em me esconder o céu, incontáveis estrelas me aguardam com um sorriso. Estrelas que desejam sonhadores tolos o suficiente para lhes puxarem dos céus, e a terra trazerem de encontro, para alçá-las status de realidade. Pois assim, os caminhos de muitos poderão iluminar, já que infelizmente não seremos todos nós que o topo da montanha fixaremos como destino final.

Tolos o suficiente para fazer da Vida um eterna busca de sonhos. Um interminável caminho na procura de sorrisos que talvez nunca tenham existido. Mas somos tolos demais para permitir, sob toda nossa ambição, a cogitar esta possibilidade. Mesmo que assim, sorrisos que estão ao nosso lado, às vezes nos passem despercebidos. E estes, que realmente existiram e tiveram significados.

Existem dor e arrependimento no topo da montanha. Mas sabe, tudo na Vida tem um preço. E cedo ou tarde, o tempo vem cobrar nossas dívidas. E nesta hora, desejo sorrir, olhar para baixo, e sobre todos os erros e pessoas que por ventura venha a perder no caminho, sentir a plenitude que tanto busco, e que cada vez menos sentido me soa a ter.

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