As vezes, imagino que nada sinto.
O vazio, por ora e sempre tão atraente, me consome. Tantas possibilidades, tantos sonhos que escapam de minhas mãos, a cada minuto, a cada respirar dos segundos. O tempo se esvai, como lágrimas em uma superficie que me parece plana demais. Sem barreiras, direto ao esquecimento que chamam de passado.
Ora ei de ficar confuso. Para onde ir, o que sentir. Mas nada sinto, esboço pensamentos que nunca serão ditos, que morrem já em sua concepção, pelo medo da incompreensão que outros demonstram. Ou talvez não, talvez se apaixonassem por estas belas palavras que são fadadas ao silêncio. Mas o medo, a ele, ah de consumir diversos sorrisos em minha vida.

Still2_by_sweetmoon
Por hora nada sinto, talvez por desejo, ou por incompetência. O medo, no fim surge da falta de confiança. Em si, nos outros, em quem amamos. Me é tão dificil confiar, amar, sentir. Coisas bonitas, mas que as vezes me soam ilógicas.
Queria o dom mágico da empatia, ver o mundo com outros olhos. Mas no fim, fadado estou a atropelar sentimentos e pessoas, em um ciclo vicioso caucado pela ambição que em meu sangue ressoa. E não haverá arrependimentos quanto a isso. Temo ser eu mesmo, mas tenho orgulho de o ser.
Desejo dias melhores, um bom futuro, incerto para ser charmoso. O que desejas neste caminho que chamam de vida não interessa a mais ninguém além de você. Algúem um dia me ensinou a sonhar, mas me avisou que ao sonhar, dar-te asas, as mesmas que vão leva-lo em direção aos seus desejos, mas cada vez o colocarão mais distante das pessoas que, de alguma maneira, resolveram do chão não sair. Ei de respeita-las, mas fadalas ao esquecimento das lembranças.
Sonhe, além das nuvens, sobre as estrelas, sem olhar para trás, crendo que o limite é somente o trasncorrer do tempo. Enquanto ele não parar, enquando a chance de julgar e decidir lhe for facultada, não existirão limites. Foi o que me disseste, antes de sumir.
Mas queria dizer que é muito dificil tudo isso, que as vezes me remeto em direção ao chão. Medo, de sozinho entre as nuvens, olhando para as estrelas, me esquecer de tudo e todos, e em mim mesmo me consumir em sonhos que só a mim fazem sentido.
Não existe lógica em se viver sozinho, mas somente posso ensinar os outros a sonhar, e não a sonhar por eles. Leva-los em meus sonhos, impossível. Seria uma prenteção e um egoísmo sem precedentes… mas quem sabe, um dia, sobre o mar de estrelas, fortes asas tenha para enfim, poder em seus sonhos visita-los.
Por hora nada sinto, mas a ambição, ah de me carregar rumo a sonhos que mesmo sem sentido, venham a se realizar.
Nei miei sogni, l’un giorno vado dormire.